segunda-feira, 13 de abril de 2009

As independentes de 30 no século XXI

Crescemos para estudar, trabalhar, construir uma carreira; independentes, maduras, solteiras e "desencanadas". Chegamos aos trinta, (ufa!) chegamos aos trinta: graduadas, bem posicionadas profissionalmente, independentes, maduras; mas solteiras ( meu Deus, solteiras! ) e totalmente " encanadas "!
Então, descobrimos que as mulheres de trinta, em pleno século XXI, graduadas e independentes encantam-se com as alianças das amigas que estão com o casamento marcado, deslumbram-se com os vestido de noiva das amigas que já casaram e fazem festa de noivado " careta " para toda a família.
Percebemos, embevecidas, que nós, mulheres maduras e independentes do século XXI somos tão incrivelmente modernas quanto nossas avós; afinal, nascemos com essa iluminada " sensibilidade uterina " que nos faz enxergar num vestido branco e num par de alianças, nosso instinto materno e nosso dom de dar prosseguimento à nossa espécie.
Somos assim, independentes, modernas, graduadas, bem sucedidas, mães, esposas, mulheres de 30 no século XXI.
Marlisa Ortega

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dos amores que tive; do amor que tenho!

Ao meu menino, Eder Leandro

Habituei-me aos amores intempestivos.
Chegavam fazendo bagunça,
partiam fazendo arruaça,
deixavam danos irreversíveis.

Quando recolhia os cacos,
estilhaçados na última explosão,
encontrei você.

Chegou calmo, sereno, tranquilo.
Fingindo não ser,
mas sendo Amor!

Marlisa Ortega

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O eu dos meus eus

Sou quimerista do impossível.
Meus anjos são negros,
meu sol está em eclipse,
sou elipse,
incógnita,
interrogação,
incerteza e
insatisfação!

Sou encontro dos "desastros",
lapso,
imperfeição.
Sou desconexo,
espelho convexo,
côncavo reflexo.
Sou falta de nexo,
anexo,
a perguntar quem sou!
E sou?

Marlisa Ortega

Visceral

Morreria por ti,
sofreria por ti,
gritaria teu nome,
ajoelhar - me - ia a teus pés,
imploraria por teu amor,
submeter - me - ia às tuas vontades,
abriria mão dos meus sonhos,
viveria a pão e água por ti.
Vagaria sem destino a teu lado,
resgatar - te - ia do inferno
e lá permaneceria por ti!
Numa noite chuvosa de verão,
depois do amor,
baterias a porta dizendo:
- Não volto mais.
Amanheceria, eu,
poça sangrenta, pulsos cortados.

Marlisa Ortega

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

PENSAMENTO FEMININO:
_ Homens nos magoam quando mentem,
homens nos magoam quando dizem a verdade!

PENSAMENTO MASCULINO:
_ Mulheres choram quando mentimos,
mulheres choram quando dizemos a verdade!

PENSAMENTO UNIVERSAL:
_ Homens e mulheres : seres desconexos
que se conectam!

Marlisa Ortega

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pânico

As paredes deste Universo sufocam - me.
O silêncio destes gritos angustia - me.
A solidão deste aglomerado assusta - me.
O caminho único destas várias vias transtorna - me.
O inferno destes céus contamina - me.
A escuridão dos dias ensolarados atormenta - me.
O ódio destes amores fere - me.
As lágrimas destes risos torturam - me.
A infelicidade destas alegrias dilacera - me.
A morte nestas vidas alucina - me.
O vazio nos espaços preenchidos machuca - me.
A pasmaceira desta agitação mortifica - me.
A prisão desta liberdade enlouquece - me.

No sufoco angustiante e assustador dos transtornos,
contaminações, tormentos, feridas e torturas;
dilacerada, alucinada, machucada e mortificada;

enlouqueço!

Marlisa Ortega

sábado, 27 de setembro de 2008

Dias Negros

Quando dissestes adeus ,
o sol morreu .
Os dias ,
negrume absoluto ,
demoram a passar .
Meus lábios ainda esperam os teus
para ressuscitar o sol !

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lágrima e Pranto

Teceria uma lágrima a tinta e pena ,
uma gota única e perfeita ;
quente e luminosa .

Traçaria todo seu trajeto
dos olhos até a boca ,
delicada e sutilmente .

Deixaria que pousasse nos lábios ,
descansasse seu doce salgado .

Permitiria que ela ali ficasse
até outra percorrer o mesmo caminho .

Assim a teceria no papel,
calma e serenamente .

Enquanto em minha face ,
o pranto escorreria incessante ,
desesperada e copiosamente .

Embaraçariam - se lágrima tecida e
pranto chorado no mesmo papel .
Frutos de uma mesma alma !


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vini

Insano
Insensato
Inusitado
Inquieto
Inconstante
Intrépido
Incontido
Incrédulo
Indeterminado
Inadequado
Indevido
Indignado
Incompreendido
Invulgar

Indescritível !

Marlisa Ortega

Ao meu amigo Vinicius Gonçalves de Andrade , personificação do prefixo "in-" , ou seja , a própria negação . A negação do que é comum , banal , usual ou cotidiano , enfim , ao meu amigo incomum .

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Retrato de um quimerista .

Ignóbil ser
de entranhas dilaceradas ,
expostas
em pleno estado de putrefação.
Vermes a devorá - las !

Apanhado de escombros ,
destroços ,
ruínas .
Pura devastação !

Reunião de coisa alguma
a descrever o mundo ,
imundo .
A falar de tudo ,
a fim de nada !

Marlisa Ortega

domingo, 10 de agosto de 2008

Visita ao Museu da Língua Portuguesa

Imagine Augusto dos Anjos , Manuel Bandeira , Carlos Drummond de Andrade , Machado de Assis , Mário de Andrade , Oswald de Andrade , Castro Alves e demais companheiros das palavras brotando do teto , invadindo - nos a alma de manso . Foi assim que senti - me no Museu da Língua Portuguesa ; tomando um banho de palavras , lavando a alma na mais pura literatura .
Para um amante da arte da palavra , nada mais revigorante e inspirador que um encontro com estes gênios , especialmente , um encontro ( ou reencontro ) com Machado de Assis . Adentrei o "mundo " ( parte dele ) do autor como se adentrasse um templo ; templo da ironia , do escárnio , do retrato escancarado de nossas almas vadias , deformadas , desviadas . Saí de lá feliz , renovada , mas não em paz ; impossível ficar em paz depois de um encontro com Machado .

Observatório

Vejo a vida da janela
Expectador de minha existência
Os dias passam a galope
O tempo é cruel .

Vejo a vida da janela
Coadjuvante de meu caminho
As horas não param
O relógio é carrasco .

Vejo a vida da janela
Não narro minha história
Os minutos correm
Cronômetro desmedido .

Vejo a vida da janela
Não escrevi meu papel
Segundos frenéticos
Contador que avassala.

Vejo a vida da janela
Não vivi minha vida
O tempo é incessante
Passou , não vi .

Marlisa Ortega

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Maldição de Zêfedus

Numa de suas orgias , Baco , o deus embriagado , adentrou o quarto de Vênus , deusa de beleza infinita , e a seduziu . Desta noite de amor , nasceu Zêfedus , um deus capaz de proferir as mais belas e embriagantes palavras do Olimpo .
Zeus , Deus dos deuses , furioso ao saber da animada noite entre Baco e Vênus , sua querida filha , determinou que o fruto daquela noite ; capaz de manipular as palavras de forma tão bela e atraente ; jamais realizaria-se no amor , sendo capaz de vivê-lo somente nas fantasias de suas palavras .
Zêfedus , conhecendo sua maldição , decidiu dividi-la com alguns mortais .
Então , quando Zêfedus , o deus da poesia , nos fez poetas , transmitiu-nos sua maldição .
Já no ventre de nossas mães , ao sermos escolhidos , ele profetizou que nós , "versadores" , em tempo algum seriamos bem sucedidos no amor . Poderíamos escrever as mais belas histórias , versos de amores sem fim ; seriamos capazes de criar casais enamorados , descrever a felicidade além do já sonhado por aqueles que não possuem nosso dom , embalar , com nossos versos , amores reais ; mas seriamos incapazes de viver o que escrevemos .
Fomos feitos de um barro negro , amargo e tão sensível que o amor real não nos cabe .
Não escolhemos ser poetas , nascemos poetas !
Alguns de nós chegam a renegar a poesia , porém , de uma forma ou de outra , ela nos encontra e nos arrebata . Ser poeta , então , é inevitável .
Estamos fadados a viver amores no papel , amores que não nos pertencem , amores de rimas e versos .
Quanto aos amores reais , tão aquém destas nossas malditas almas poéticas , nunca nos serão suficientes .
Marlisa Ortega

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Recordações

Carruagens passam.
Saias agitadas ,
deslumbrante vestido encarnado .

Rosto alvo pálido
de uma delicadeza infinita .

Cafeterias , doçarias ,
conversas d'amores platônicos .

Saraus , bailes ,
beijo roubado no belo jardim .

Virgens cantadas em versos .
Romances nos folhetins .

Saudade d'outrora .
Saudade d'outra vida .

Marlisa Ortega

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Lá no Morro.

Lá no Morro , quando chove , ninguém sobe , ninguém desce ; não tem água encanada , esgoto nem salubridade .
Os meninos e meninas , filhos dos avós , fazem outras crianças para aumentar a prole destes mesmos pobres avós .
Lá no Morro , tem fome , sujeira e bala perdida . Os meninos e meninas brincam de bandidos e bandidos , já que estes são seus verdadeiros heróis .
Lá no Morro , estes cabelos vermelhos , estas unhas pintadas e estes olhos azuis são motivo de encantamento ; mas aqui dentro , sou fútil e superficial diante do que meus olhos vêem .
Lá no Morro , eu prefiro fechar os olhos , contudo nem toda fantasia de poeta impede-me de enxergar .
Lá no Morro , sinto-me impotente , sinto-me incapaz .
Lá no Morro , não posso reclamar da vida , pois , lá em casa , não há pai bêbado , sete irmãos famintos nem mãe espancada .
Lá no Morro , preciso ser de ferro ; ouvir , ver e ficar calada .
Lá no Morro , sou mais um a não fazer nada para mudar .

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Odeio-te

Odeio
teus negros olhos a fugir dos meus .
Odeio
tua boca macia a beijar-me .
Odeio
o toque suave das tuas mãos .
Odeio
tua voz doce ao meu ouvido .
Odeio
teu jeito único de fazer amor .
Odeio
tua inteligência genial .
Odeio
a sensibilidade da tua alma .
Odeio
teu sorriso tímido .
Odeio
tua razão e tua insanidade .
Odeio
tudo que há de ti em mim .

Odeio-te por tanto te amar !

Marlisa Ortega

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Conjugando o verbo

Fodo - me eu
Fodes - te tu
Fode - se ele
Fode - se ela
Fodemo - nos nós
Fodem - se eles
Fodem - se elas
Estamos todos fodidos !

Aqui , só não se fode ,
quem tem poder de veto.

Marlisa Ortega
Quisera falar latim ,
só assim ...
poderia latir
sem que a hipocrisia se chocasse!

Querer

Quererei
Quereria
Quererás

Quem queria ,
não quer mais.

Marlisa Ortega

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Aniversário de Renascimento

Dia nove , dia treze ; não , dia 14 do mês de Julho do ano de 2007 , foi este o dia escolhido pela vida para meu renascimento.
Neste dia internei-me naquele hospital . Entrei na sala de cirurgia sem saber se estava disposta a voltar ; realmente , a velha Marlisa não voltou .
A menina ficou lá , permaneceu anestesiada e acabou sucumbindo ; voltou a mulher . Capaz de enfrentar a vida , os desafios , assumir escolhas e pagar por elas .
Não era uma questão estética , não era uma questão de saúde ; era mesmo dar um novo rumo , um novo sentido à vida .
Saiu do hospital alguém disposto a viver !
A princípio não fui capaz de enxergar o que o espelho teimava em mostrar ; sou linda !
Alguém ajudou-me a ver isto , "desembaçou" as lentes dos meus óculos e pude perceber . Sim , sou linda , por dentro e por fora .
Um ano de dias intensos , tristezas intensas , alegrias intensas , uma vida intensa ; afinal , sou intensa .
Aprendizado , crescimento , percepções de um mundo em mim que eu desconhecia.
Não foi apenas uma "redução de estômago " , foi uma "ampliação da vida " . Isto não quer dizer que deixei de ser triste e passei a ser feliz ( nada destas superficialidades ! ) , felicidade é só um estado , fugacidade ; quer dizer que aprendi a viver os momentos , bons ou ruins , como devem ser vividos .
Quarenta e cinco quilos depois , posso dizer que estou no meio do caminho de uma vida nova , disposta a percorrê-lo e enfrentá-lo ; caindo , levantando , enfim , vivendo .

P.S. : Este texto não se propõe a um objetivo literário ( intenção deste blog ) , porém , também há poesia numa declaração de vida .

sábado, 12 de julho de 2008

Impotência

Cortaria meus pulsos
se de minhas veias versos saíssem .
Racharia meu crânio
se de minha massa cefálica rimas brotassem .
Rasgaria meu peito
se de meu coração estrofes transbordassem .

Sou este ser ,
medíocre ,
compacto
e limitado.

Não sou poeta ,
sou uma farsa !

Marlisa Ortega

Poeta

És a magia em mim há tanto contida !
És minha fuga ,
meu desvario ,
minha alucinação.
És meu torpor ,
minha fome de versos ,
minha sede de rimas.
És meu eu em mim.
Essa insanidade fascinante ,
esse desejo de voar sem asas .
És meu poeta !
Sou tua Musa !
Se sou Poeta ,
és inspiração !

Marlisa Ortega

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Musa Fantástica

Beatriz dormiu no céu em uma terça-feira de Carnaval e acordou no inferno em uma quarta-feira de cinzas.
Cinzas foi o que viu em toda parte ; cinza era o dia , cinza era seu olhar , cinza eram seus lábios sem sorriso e cinza seria toda sua existência.
Vagou sozinha por seu inferno infinito em busca da própria alma perdida ; quando a encontrou , não era uma alma cinza , mas uma alma sombria . Recolheu aquela sombra e a guardou dentro de si .
Continuando sua caminhada soube que Dante jamais perdoaria sua ida ao céu nos braços de outro Poeta .
Sua alma , naquele umbral sem fim , urrava e ecoava : Poeta , Poeta , Poeta !
Não , o Poeta não sairia do próprio céu para resgatá-la nas trevas .
Beatriz aprendeu a sutil diferença entre Musas e Poetas : Poetas escrevem fantasias , criam Musas fantásticas ; Musas são a própria fantasia , não existem sem Poetas , voltam para o inferno fantástico quando os Poetas deixam de sonhá-las .
E o Poeta seguiu seus versos ... e Beatriz ... Beatriz não existe !

Marlisa Ortega